Escute a Rádio Poran. Clique aqui.

segunda-feira, 27 de abril de 2009

Cordel de Guaipuan Vieira

Há atualmente muita literatura direcionada às personalidades brasileiras homenageadas com nomes das ruas de Fortaleza, porém nada existia ainda editado em cordel. Este trabalho, pioneiro no Brasil, de autoria do poeta Guaipuan Vieira, mostra ao leitor a história de nossos antepassados ilustres, sua vida, seus atos de bravura, em suma, sua importância para o povo da capital cearense.
Certamente ao ler este folheto, o leitor sentir-se-á tentado a esperar por outros do mesmo gênero que certamente virão, na certeza de que passará a ter conhecimento, em poesia de cordel,da bibiografia das personalidades ali divulgadas. (Prof. Helder Campos)
Como adquirir:
Cordel lançado na VIII Bienal Internacional do Livro do Ceará.

sexta-feira, 17 de abril de 2009


Médicos constatam morte cerebral de universitária baleada
A estudante universitária foi baleada na cabeça em parada de ônibus próxima à da Universidade Estadual do Ceará (Uece)
17 Abr 2009 - 11h17min

Médicos do Instituto Dr. José Frota (IJF) constataram na manhã desta sexta-feira, 17, a morte cerebral de Nádia Brito, 22. A estudante universitária foi baleada na cabeça em parada de ônibus próxima à da Universidade Estadual do Ceará (Uece). Na noite desta quarta-feira, Nádia chegou à parada de ônibus acompanhada do namorado quando uma van com torcedores se aproximou do ponto. Moradores do bairro entraram em conflito com os passageiros e tiros foram disparados de dentro do veículo. Uma das balas atingiu a cabeça da estudante. Segundo a delegada Eliane Barbosa, titular do 5° DP, que está apurando o caso, a polícia já levantou nomes de alguns suspeitos. Protesto Na noite desta quinta-feira, na avenida Beira-Mar, alunos e professores da Uece fizeram protesto contra a violência no entorno da Universidade, distribuindo rosas brancas aos passantes.


Fote: O POVO Online

quarta-feira, 15 de abril de 2009




poesia viva
Amigos de Juvenal criam sociedade para preservação da Casa


Será instalada hoje a Sociedade dos Amigos da Casa de Juvenal Galeno (Sejuga) criada para ajudar a manter a residência do poeta cearense. O solar, no Centro de Fortaleza, dá abrigo, há quase um século, à cultura e à arte. O presidente de honra da entidade é Alberto Galeno, neto do poeta.
No meio da balbúrdia do Centro de Fortaleza, entre platibandas repletas de anúncios, vitrines espalhafatosas e o trânsito infernal, quase ninguém repara numa bela casa secular, conservada, apesar dos anos, com sua pintura clara, com detalhes em verde, e lá no alto uma sugestiva lira - instrumento associado há milênios com a arte da poesia. Uma placa metálica informa ao passante que ali foi a residência do poeta Juvenal Galeno. O atual dono da casa é o neto do poeta, o escritor Alberto Santiago Galeno. Hoje as portas duplas do solar vão estar abertas para a festa de instalação da Sociedade dos Amigos da Casa de Juvenal Galeno (Sajuga), que virá somar esforços, junto com a Secretaria da Cultura do Estado do Ceará, para manter vivo este patrimônio comum.
A Casa de Juvenal Galeno, fundada em 27 de setembro de 1919 pelas filhas do poeta, Nenzinha e Henriqueta, é uma referência cultural da cidade. Nos seus salões e no quintal sombreado por mangueiras centenárias, poetas, escritores, cantadores, folcloristas foram recebidos e acolhidos, em noitadas literário-musicais que fizeram e continuam a fazer história. A casa, na rua General Sampaio, 1128, quase na esquina da praça José de Alencar, foi palco de saraus e festas memoráveis, principalmente nas décadas de 40 e 50. ''É importante, a criação da Sejuga. Quem mantém a casa sou eu, com dificuldade, sou um sujeito pobre. Se for pra desafogar os gastos com a manutenção da casa, é muito bom'', diz Alberto Galeno, esclarecendo que a casa que herdou de seu avô continua a ser um espaço cultural da cidade. ''Agora mesmo, no dia de São José, teve umas 300 pessoas aqui em casa, a Adísia Sá foi homenageada. Teve distribuição de milho verde, canjica, pamonha, estas comidas do inverno. Como sertanejo e devoto de São José, todo ano celebramos o dia dele com festa'', diz Alberto Galeno, que nasceu em Russas. ''Mas me criei pelo Cariri, meu pai era juiz de Direito e mudava muito de cidade''.
Alberto Galeno não conviveu com o avô poeta, morto aos 95 anos, em 1931. ''Cheguei em Fortaleza no ano de 1935, pra estudar. Em 40, vim morar aqui nesta casa, com minhas tias, Henriqueta e Nenzinha'', conta ele. A casa também se animou com as conversas picantes do poeta Quitino Cunha, verberou com a poesia de Jáder de Carvalho, com a prosa de Rachel de Queiroz, do contista Moreira Campos, do historiador Raimundo Girão, de Mozart Soriano e muitos outros.
Da lembrança de rapaz, Alberto Galeno resgata as muitas personalidades que frequentaram os saraus promovidos pelas tias, também escritoras. ''Patativa do Assaré foi homenageado aqui, o Câmara Cascudo fez conferência aqui, o Leonardo Mota, todo este pessoal. E o Demócrito Rocha era muito amigo de tia Henriqueta'', recorda. A casa também se animou com as conversas picantes do poeta Quitino Cunha, verberou com a poesia de Jáder de Carvalho, com a prosa de Rachel de Queiroz, do contista Moreira Campos, do historiador Raimundo Girão, de Mozart Soriano e muitos outros.
Parte do rico acervo bibliográfico foi doado por Mozart Soriano. Somado à biblioteca que pertenceu a Juvenal Galeno, são seis mil preciosos volumes. A residência, de dez cômodos, conta com dois auditórios. O principal, batizado de Juvenal Galeno, com capacidade para 120 pessoas, conta com palco, um piano de meia cauda e uma obra do pintor Otacílio Azevedo. O outro auditório, Nenzinha Galeno, fica no amplo quintal. É lá que acontecem os encontros de cantadores de viola, em noitadas ao luar.

Um poeta romântico

Juvenal Galeno (1836-1931), citado como ''o pioneiro do folclore no Nordeste'', extrapolou o lirismo de caráter pessoal para cunhar uma dicção popular, de sabor interiorano, em que retrata o Brasil dos pequenos e dos simples. A originalidade do poeta, em sua época, vai ainda para o reaproveitamento da tradição trovadoresca, através das trovas e quadras anônimas. Embora a paráfrase seja parte pequena da obra poética de Juvenal Galeno, esse é o timbre principal de sua criação, ''representar o povo brasileiro''.
Observador atento dos costumes do interior, do sertão às praias, Juvenal Galeno sempre quis ser um poeta popular, embora a afirmação de alguns historiadores de que tenha seguido orientação de Gonçalves Dias, quando de sua passagem pelo Ceará em 1859. O fato é que o primeiro livro do então jovem poeta, com 20 anos de idade, teria dado motivo a Gonçalves Dias para dizer-lhe que deveria seguir a poesia popular.
Prelúdios Poéticos é de 1856, livro típico do Romantismo, mas a indicação estética de que se valera Gonçalves Dias para orientar o jovem está lá, através de alguns poemas de sabor popular, como ''A Noite de São João'', ''A Canção do Jangadeiro'' ou ''Cantiga do Violeiro''. Poesia simples, coloquial, mas sem chegar à oralidade de um Catulo da Paixão Cearense ou de um Hermes Vieira,(1) a obra de Juvenal Galeno teria o seu ponto alto, já na maturidade do poeta, com o lançamento de Lendas e Canções Populares, de 1865.
A Sociedade Amigos da Casa de Juvenal Galeno fica na rua General Sampaio, 1128 - Centro. Hoje, às 19h30, festa de instalação da entidade.Informações pelo telefone 3231.1448
Com informações do Jornal de Poesia (http://www.jornaldepoesia.jor.br/)


(1)VIEIRA, Hermes Rodrigues Cardoso – n. 23-09-1911 - Fazenda Caiçara, município de Valença do Piauí (PI), atual município de Elesbão Veloso (PI), f. 17-07-2000 - Fortaleza (CE). Filho de José Francisco Ferreira da Silva e Maria Constância da Silva. Poeta popular, cronista e romancista. Foi policial militar e "guarda mata-mosquito", em cujo emprego, conheceu de perto a Amazônia e travou contato com os índios, com quem aprendeu a língua Tupi. É verbete do “Dicionário Biobibliográfico de Escritores Brasileiros Contemporâneos” (1998), de Adrião Neto. Bibliografia: "Poemas Nordeste" e "Piauí Sertão". Deixou inéditos: "Fatos, Lendas e Crendices do Nordeste", crônicas e poemas; "A Lagoa Encantada", romance; "Maria Amélia", romance; "Xingu", romance; "O Casal Fantasma Piauiense", contos, e um pequeno vocabulário etimológico da Língua Tupi. Foi incluído na coletânea “Caminheiros da Sensibilidade” (1966), organizada por J. Miguel de Matos, na “Antologia de Autores Elesbonenses” (1999), organizada por Maria Nilza, Celina Silva e Juraci Leite de Carvalho e no livro “A Poesia Piauiense no Século XX” (1995), de Assis Brasil. Comentário: Com prosódia popular no verso claro e ágil, Hermes Vieira, poeta de Teresina, na Terra Sagrada do Piauí, reúne evocações de figuras e paisagens regionais... Uma inteligência observadora e sagaz, manejo fiel do vocabulário certo, emoção ao recriar os temas que pertencem ao patrimônio regional... (Luís da Câmara Cascudo, in "Poemas Nordeste”).

quinta-feira, 12 de março de 2009

Meio Norte - José Fortes - Cultura

As façanhas do pistoleiro Catanã

25/11/2008 - 10h:54

Embora o cognome seja o mesmo, não estou falando do sargento PM João Augusto da Silva Filho, o “Joãozinho Catanã”, acusado de comandar um grupo de extermínio no Ceará. Mas de Joaquim Leandro Marciel, ou Francisco de Assis Brasil, o Catanã, pistoleiro de dupla identidade, que aterrorizou os Estados da Paraíba, Ceará e Piauí na década de 50 e que ainda suas façanhas são lembradas por populares nas capitais desses estados.Catanã nasceu na Paraíba, em São João do Rio do Peixe, proximidades de Cajazeiras, região temida por Zé Cazuza, pistoleiro famoso, com centenas de mortes em todo o sertão daParaíba. Foi preso pelo sargento Irineu Rangel, delegado de Souza, a mando do governador João Suassuna, que decidira acabar com o banditismo. Com histórico de muitos bandidos, Catanã estreou no mundo do crime aos dezessete anos, para vingar a morte do pai, pequeno agricultor da região, que por disputa de terra terminou assassinado. Aos vinte anos, por uma boa oferta de um fazendeiro, ingressou no crime de encomenda, deixando ao longo dos janeiros um rastro de sangue, descrevendo uma vida pregressa, acobertada por mandantes “coronéis”, fazendeiros e políticos daquela região. Fugindo do cerco policial, refugiou-se em Valença, no Piauí, onde conseguiu mudar de identidade e viver alguns anos como pequeno agricultor. Em 1947, passou a morar em Crateús, no Estado do Ceará, onde segundo o senhor Jafé Gonçalves de Oliveira, 81 anos, morador antigo daquele município, foi pago pelos Belos, família de poder aquisitivo em Novo Oriente/CE, para matar o comerciante Raimundo Ximenes, que estava estabelecido em São Luiz do Maranhão, acusado de mandante da morte de João Belo, sendo que o crime praticado fora pelo próprio cunhado de Belo. Em São Luis, Catanã passou-se por vendedor de jóias para se aproximar do desafeto. Ao certificar-se de que se tratava de uma pessoa trabalhadora, resolveu não praticar o crime, recebendo de Ximenes pagamento para deixá-lo em paz e com o pedido de não executar o mandante, fato que revoltou o pistoleiro porque tinha essa intenção.As histórias que envolvem a vida criminosa de Catanã são vastas. A seqüência de crimes atribuídos, às vezes ceifando a vida do próprio mandante, quando percebia traição, o deixa em torno de um misto de Billy The Kid e Lampião.Na capital cearense, na Praça do Ferreira, conhecida como o coração de Fortaleza, também são lembradas as façanhas do Maior pistoleiro daquela década, que na opinião do senhor Raimundo Ferreira da Silva, aposentado, 82 anos, “era hábil no gatilho, nem todo policial tinha coragem de enfrentá-lo, só foi preso porque foi pego desprevenido”, conclui.
De Patos na Paraíba, o poeta popular Antônio Américo de Medeiros, forneceu-me estrofes do folheto de cordel Pistoleiros do Nordeste, edição de 1990, autor anônimo, onde o poeta faz uma retrospectiva do banditismo no Nordeste, transparecendo ao leitor que a prática da pistolagem é território sem domínio da força Pública: “O cangaço foi banido
no Nordeste brasileiro
mas o crime de aluguel
do perverso pistoleiro
é território sem lei
a polícia não dar frei
reina o gatilho certeiro.
Na Paraíba reinaram
em uma década passada
Zé Cazuza e Catanã
sem perderem a empreitada
no sertão alagoano
Chapéu de couro tirano
fez a sua diabada.
No Ceará foi Mainha
um temível pistoleiro
depois dele outros vieram
não acaba o justiceiro” (...)
Na Praça Rio Branco, em Teresina/PI, logradouro que serve de encontro de aposentados, artistas populares e de vendedores ambulantes, tive a oportunidade de ouvir várias histórias ao seu respeito, uma delas comentou o senhor Abílio Pereira de Sousa, servidor público aposentado, 80 anos, que um das peculiaridades de Catanã era ao ver a foto da vítima e expressar euforicamente: “já estou com raiva”. Na capital piauiense, o perito criminal Delfino Vital da C. Araújo, que conheceu o temível pistoleiro, fez uma retrospectiva de sua história, informando que a prisão do mesmo ocorreu no início da década de 60, em Fortaleza, e fora recambiado para a capital piauiense pelo tenente Veras, acusado de matar um motorista de um jipe, para roubar o veículo, nas proximidades da cidade de Demerval Lobão, município metropolitano da capital do Estado. O serviço de inteligência da Secretaria de Segurança, suspeitando que o mesmo tinha outros envolvimentos, abriu uma linha de investigação, oportunidade em que foi descoberta a vida pregressa daquele a que era argüido a própria personificação do Mal, ou imbatível pistoleiro.Uma entrevista sobre o bandido foi publicada, na época, em reportagem de Deoclécio Dantas, para o jornal Folha da Manhã, artigo que está contido em seu livro Dá Licença, Editora Halley, edição 2001. Nele, o jornalista esclarece que em tempos idos teve oportunidade de entrevistar, na penitenciária de Teresina, hoje abrigando o estádio Verdão, o temível pistoleiro, condenado a 30 anos de reclusão, mas incluído na soma de detentos de bom comportamento carcerário. Vivia cercado de livros com intuito de estudar o curso de direito e demonstrava arrependimento das vidas ceifadas, muitas delas pelo prazer de “ver a capemba do olho virar”. Segundo o jornalista, após a publicação da longa matéria, Catanã fora denunciado por um outro presidiário, de que aproveitava as saídas nos finais de semana para continuar a prática delituosa (matar gente), e que acabara de assassinar um policial na cidade de Macau, Rio Grande do Norte, fato comprovado na época pela investigação do capitão Astrogildo Sampaio, designado pela Secretaria de Segurança Pública. Catanã, que vinha sendo investigado pela Polícia piauiense, foi encontrado morto, numa casa no bairro Piçarra, vítima de envenenamento, como queima de arquivo ou desavença pela partilha do lucro, deixando incompletas páginas de um novo inquérito e observações pela crônica policial: o crime de pistolagem continuará um continente sem fronteiras, um território sem lei, envolto em uma seqüência de fatores ligados à questão sócio-econômica, freqüente em Estados como Pernambuco, Paraíba, Alagoas, Ceará, Rio Grande do Norte e Piauí, onde o silêncio é garantia de vida para a população menos favorecida.
Por Guaipuan Vieira, poeta, Membro da Associação Cearense de Imprensa e da Academia Municipalista de Letras do Estado do Ceará –AMLECE - cadeira nº 02

segunda-feira, 9 de março de 2009

UNIVERSITÉ DE SORBONNE

Obra do poeta piauiense Guaipuan Vieira é estuda na Université de Sorbonne, no 8º colloque international du CRICCAL.( Mémoire et culture en Amérique latine – Paris III, 25, 26, 27 octobre 2002, 1ère série). O poeta é radicado no Ceará, onde fundou o Centro Cultural dos Cordelistas do Nordeste –Cecordel, presidindo atualmente. Foi eleito em 2009 para ocupar a cadeira de número 21 da Academia Brasileira de Literatura de Cordel –ABLC. Ele irá substituir o poeta Joaquim Batista de Sena, que morreu em 1991.

Cecordel

terça-feira, 20 de janeiro de 2009

Portal apresenta 32 obras da literatura de cordel
MEC - 18/2/2008

É de Pombal, na Paraíba, o poeta cordelista mais procurado pelos leitores do Portal Domínio Público do Governo Federal. Leandro Gomes de Barros, considerado pai da literatura de cordel no país, tem no portal 18 obras que somam 44.232 acessos, o campeão entre os seis autores com textos disponíveis na página. E a obra campeã de Leandro é A Filha do Pescador, com 8.077 acessos.Embora tenha vivido apenas 55 anos, Leandro Gomes de Barros tem uma obra vasta que se manifesta em poemas heróicos, novelescos, satíricos que abordam temas sobre o cangaço, a seca, o sofrimento, a mulher, os mundos mágicos do dragão, da lua, das fadas. O poeta nasceu em Pombal (PB) em 1865 e morreu em Recife (PE) em 1918. Entre os poemas dele mais procurados no portal estão Uma Viagem ao Céu, O Valor da Mulher e a Mulher Roubada. Mas o cordelista Guaipuan Vieira, de Teresina (PI), que tem hoje 57 anos, também é muito procurado. Dele estão disponíveis no portal quatro obras, com destaque para A Chegada de Lampião no Céu, com 7.104 acessos e A Terrível História da Perna Cabeluda, com 3.282.Os outros poetas de cordel presentes no portal são João Melquíades Ferreira da Silva, que viveu entre 1869 e 1933 na Paraíba e foi um dos combatentes da Guerra de Canudos; Silvino Piruá de Lima, que nasceu em 1848 em Patos (PE) e morreu em Bezerros (PE) em 1923. Segundo a Academia Brasileira de Literatura de Cordel, Silvino foi, junto com Leandro Gomes de Barros, criador da literatura de folhetos que se conhece hoje e que é vendida principalmente em feiras. Estão na página também obras de Francisco das Chagas Batista e José Bernardo da Silva.Biblioteca digital desenvolvida em software livre, o Portal Domínio Público dispõe de arquivos de imagem, som, texto e vídeo e um caminho para pesquisa que pode ser feita pelo conteúdo, nome do autor, além de teses e dissertações da Coordenação de Aperfeiçoamento de pessoal de Nível Superior (Capes).

Fonte: Brasil que Lê - Agência de notícias

segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

BALA E ARTE
Cultura da prepotência e da arrogância

Saindo do mundo real, mas inspirados nele, artistas e escritores bebem na fonte das histórias de violência para construírem suas obras
19 Mai 2007 - 15h43min

"Você sabe com quem está falando?". Todos já devem ter ouvido - alguns, até, proferido - esta frase. Ela resume a prepotência e arrogância dos que se consideram acima das leis e donos da Justiça. Ela é tão presente no contexto da sociedade atual, que também foi transportada para a cultura popular. Os crimes políticos, os mandantes e os pistoleiros estão presentes em diversas obras literárias, músicas e cordéis. O antropólogo Roberto DaMatata diz que "o estudo do ´você sabe com quem está falando?´ mostra o conflito entre a hierarquia como valor e as normas modernas, impostas pelo Estado, que dizem que todos devem obedecer a lei". E é justamente neste limite que está o "poder" como essência, algo que os homens almejam e passam por cima de tudo para alcançá-lo. Com este enredo, muitas histórias foram contadas, com personagens diferentes e, muitas vezes, baseadas em fatos reais. "Todo o sertão nordestino/Assim como as capitais/Têm uma marca sangrenta/De assassinatos brutais/Que mesmo o tempo querendo/Não acabará jamais". Com esta estrofe se inicia o cordel "Mainha, o maior pistoleiro do Nordeste", de Guaipuan Vieira. Os versos prometem contar a história de Idelfonso Maia Cunha, o "Mainha", um dos pistoleiros mais temidos no Estado durante as décadas de 80 e 90, e que hoje está preso. "Estes crimes foram feitos/Pelo rei da pistolagem/Conhecido por Mainha/Homem de cruel bagagem/Pois descrevo sua história/No mundo da bandidagem", continua o cordel. O texto narra ainda as ligações entre Mainha e Francisco Diógenes, assassinado anos depois em Fortaleza em um acerto de contas, e os diversos crimes que ele é acusado de cometer, como dos ex-prefeitos de Iracema, Expedito Leite, e de Pereiro, João Terceiro Sousa. "O terrível pistoleiro/Que já quase era lendário/Já deixou de ser o mito/Hoje é presidiário", termina. O cordel, lançado em 1998, teve grande circulação e chegou ás mãos do próprio Mainha. Ele teria mandado um bilhete para o autor dos versos, pedindo uma resposta. Guaipuan, então, transformou a defesa do pistoleiro em versos. "Eu nunca fui pistoleiro/A todos posso provar/Se matei foi por vingança/Assunto particular/Pistoleiro que eu saiba/É pago para matar./Se eu fosse perigoso/Não teria sido preso/Pois cabra desta maneira/Tem olhar bem aceso/Tem ouvidos de tiú/Ninguém o pega indefeso". "O povo adora ler sobre pistolagem, sobre bandidagem. Esses são os cordéis que mais vendem", conta Guaipuan, que considera Mainha muito parecido com o cangaceiro Lampião. "Eles mexeram muito com o imaginário popular", diz. Os crimes políticos, a disputa de poder, também estão presentes em obras como de Guimarães Rosa e Jorge Amado. "Eles dão um tom lúdico à própria história do Nordeste. Os casos de coronéis, acerto de contas, bandidos como heróis. Tudo faz parte também da história real", afirma a socióloga Peregrina Capelo. (Vicente Gioielli)

Fonte: Jornal O POVO